Desde a última vez que aqui vim, e
outros tantos desde a última vez que eu própria escrevi. Com o tempo, com este
tempo, vivi experiências com as quais cresci mais... E achava-me eu madura,
tendo em conta tudo o que já tinha vivido e visto no meu mundo, que agora acho
um mundo um tanto ou muito inocente...
Foi este ano que morreu uma parte de mim
e nasceu outra, despedi-me da (pouco) criança ou adolescente que era, para
passar para a fase de adulta, que pouco ou nada ansiei. Chegaram, então, os
meus dezoito anos e com estes: a morte e renascimento, tal como em muitas
outras coisas em mim sofreram esta alteração, a de 180º. E, enfim, tudo se
juntou para me mostrar o outro lado.
Sei que todos os adolescentes passam
pelo mundo paralelo, que lhes dá a ilusão da facilidade, simplicidade e poder.
O que é certo é que a mim nunca me custou tanto. Custou-me ver que podia
escolher, a qualquer altura, aquele caminho, custou-me ver e enfrentar sem
julgamento inúmeras pessoas de quem gosto, e admiro até, a fazerem aquelas
escolhas (muitas delas podem ter consequências no resto da vida delas e de quem
as rodeia). Posso chamar aquele lado, na minha perspetiva, a terra do nunca, uma
terra que nunca pensei que pudesse realmente existir.
Foi então nela que aceitei viver durante
três meses da minha vida, e não achei que fosse de modo algum tempo
desperdiçado. Cometi erros? Muitos, e daqueles que dizia sempre 'nunca os farei'
e que também era (e ainda sou) a primeira (re)lembrar que é menos certo
fazê-lo... Mas a terra do nunca ilude-nos ao ponto de acharmos
que é tão fácil sair daquele 'buraco' como foi fácil nele cair. Tudo mentiras e
ilusões! Mas foi com tais erros que aprendi a lidar com situações idênticas, com
que desde então me tenho deparado no mundo que me rodeia atualmente. Uma vez
experimentada a roda-viva de emoções, espero não ter de voltar a entrar nela.
Pela responsabilidade de decidir, de me sentir sozinha e
mesmo assim ter a obrigação de o fazer, de enfrentar julgamentos
da fama, de erros. Espero com estes, sim, ajudar...
Após uma hora e meia de terapia, de
condensar todas as minhas aventuras dos últimos tempos, perguntaram-me: 'Farias
tudo novamente?' e na altura respondi espontaneamente, mas esta
questão ainda não me saiu da mente. Foram mais erros do que aprendizagens?
Foram mais riscos do que seguranças? Foram mais sorrisos do que lágrimas? Foram
mais esquecimentos do que lembranças? Foi mais doce do que amargo? Não vale a
pena quantificar. É escusado, porque faria. Hoje, ainda
sofro, tanto com o que aconteceu como com as repercussões que possa vir a ter
de enfrentar, mas foram os mesmos que me fizeram chegar até aqui. Ser o que
sou, agora. Foram momentos.
E no fim de tudo isto, aqui estou eu
(ainda). Voltar às origens e à rotina, ao local de conforto, fez-me voltar a
mim mesma. A consciência, a responsabilidade, as amizades da velha guarda, as
obrigações, e as muitas outras coisas que a saudade naquele local não assistia.
Ultrapassado, achava eu, o dormir
demais, o não querer sair de casa, o desamor pelas provas de conhecimento, o
não me sentir amada e apoiada, os biliões de supostos problemas, os vícios. O
abrir o coração para o amor, para a entrega, mudou algo. Pergunto-me: será
que tudo isto foi verdade? Ou após um ano de nãos, voltam os Se?
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