9 de novembro de 2014

Passaram-se meses...

Desde a última vez que aqui vim, e outros tantos desde a última vez que eu própria escrevi. Com o tempo, com este tempo, vivi experiências com as quais cresci mais... E achava-me eu madura, tendo em conta tudo o que já tinha vivido e visto no meu mundo, que agora acho um mundo um tanto ou muito inocente...
Foi este ano que morreu uma parte de mim e nasceu outra, despedi-me da (pouco) criança ou adolescente que era, para passar para a fase de adulta, que pouco ou nada ansiei. Chegaram, então, os meus dezoito anos e com estes: a morte e renascimento, tal como em muitas outras coisas em mim sofreram esta alteração, a de 180º. E, enfim, tudo se juntou para me mostrar o outro lado. 
Sei que todos os adolescentes passam pelo mundo paralelo, que lhes dá a ilusão da facilidade, simplicidade e poder. O que é certo é que a mim nunca me custou tanto. Custou-me ver que podia escolher, a qualquer altura, aquele caminho, custou-me ver e enfrentar sem julgamento inúmeras pessoas de quem gosto, e admiro até, a fazerem aquelas escolhas (muitas delas podem ter consequências no resto da vida delas e de quem as rodeia). Posso chamar aquele lado, na minha perspetiva, a terra do nunca, uma terra que nunca pensei que pudesse realmente existir.
Foi então nela que aceitei viver durante três meses da minha vida, e não achei que fosse de modo algum tempo desperdiçado. Cometi erros? Muitos, e daqueles que dizia sempre 'nunca os farei' e que também era (e ainda sou) a primeira (re)lembrar que é menos certo fazê-lo... Mas a terra do nunca ilude-nos ao ponto de acharmos que é tão fácil sair daquele 'buraco' como foi fácil nele cair. Tudo mentiras e ilusões! Mas foi com tais erros que aprendi a lidar com situações idênticas, com que desde então me tenho deparado no mundo que me rodeia atualmente. Uma vez experimentada a roda-viva de emoções, espero não ter de voltar a entrar nela. Pela responsabilidade de decidir, de me sentir sozinha e mesmo assim ter a obrigação de o fazer, de enfrentar julgamentos da fama, de erros. Espero com estes, sim, ajudar...
Após uma hora e meia de terapia, de condensar todas as minhas aventuras dos últimos tempos, perguntaram-me: 'Farias tudo novamente?' e na altura respondi espontaneamente, mas esta questão ainda não me saiu da mente. Foram mais erros do que aprendizagens? Foram mais riscos do que seguranças? Foram mais sorrisos do que lágrimas? Foram mais esquecimentos do que lembranças? Foi mais doce do que amargo? Não vale a pena quantificar. É escusado, porque faria. Hoje, ainda sofro, tanto com o que aconteceu como com as repercussões que possa vir a ter de enfrentar, mas foram os mesmos que me fizeram chegar até aqui. Ser o que sou, agora. Foram momentos.

E no fim de tudo isto, aqui estou eu (ainda). Voltar às origens e à rotina, ao local de conforto, fez-me voltar a mim mesma. A consciência, a responsabilidade, as amizades da velha guarda, as obrigações, e as muitas outras coisas que a saudade naquele local não assistia.

Ultrapassado, achava eu, o dormir demais, o não querer sair de casa, o desamor pelas provas de conhecimento, o não me sentir amada e apoiada, os biliões de supostos problemas, os vícios. O abrir o coração para o amor, para a entrega, mudou algo. Pergunto-me: será que tudo isto foi verdade? Ou após um ano de nãos, voltam os Se?

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